Por
Paulo Gomes
Numa dessas tardes frias de junho – assim é que tem
sido nesse sertão com face de deserto, com jeitos de contraste, encontrei o
amigo e companheiro de estrada (da luta cotidiana das salas de aula), Jorian.
Provocou-me a discorrer sobre qualquer coisa que quisesse escrever para
alimentar o novo blog do Sinte, Regional Currais Novos. Ultimamente não tenho
dado atenção as palavras como deveria fazer mais vezes.
Atento as palavras alheias, aproprio-me, por vezes
delas. Consumo a visão de outros que me consomem através de ideias e
pensamentos que se coadunam com o meu. Navego nos sites e blogs por essa
internet nossa de todos os dias. Procuro, claro, a lucidez nesse mundinho
fantasioso da internet. Tento ser seletivo e não me aproprio de tudo, senão,
estarei incorrendo nos erros da “vida real” aqui de fora onde a grande mídia
constitui-se, mais do que nunca, num poder paralelo ao das instituições que se
constroem no contexto exato de uma democracia que ainda almejamos alcançar –
vivemos no fascínio de imaginá-la tê-la como nossa. Mas, deixemos de veleidades
e partamos para algo que atice esses meus primeiros passos nesse pequeno espaço
de opiniões, multiplicação e discussão de ideias e ideais.
Num tempo
inexato de pouco mais de 5 anos, construi minhas primeiras aventuras no mundo
da poesia – é importante que todos saibam que não sou poeta, porém, um
admirador da palavra escrita e travestida, no meu caso, em arte. Sou um
admirador e grande fã da mãe das águas
que me afogou na palavra e fez dela um pouco do meu ar, da minha vida – certo
que de vez em quando morro e desapareço, por deixá-la de respirá-la, aspirá-la,
inspirar-me... Chega de enfeites, hora de propor algo para a alguém que queira
o desafio de também navegar nesse mar, sem qualquer vergonha, sem qualquer
temor.
Tento agora ser, mesmo que mero escrevinhador, de
acertos e desacertos do mundo. Jogo a todos e todas a palavra sob forma de
poesia tecida nos dias em que naveguei bastante por esse mar – hoje, começo a
navegar em rio sedento de água de chuva que não vem. Façamos, então,
tempestades de nós.
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